Ambientes de inovação da Bahia recebem visita de comitiva do programa Enfuse

A comitiva de pesquisadores do Enfuse esteve em Salvador e em Camaçari para visitar cinco ambientes de inovação e empreendedorismo da região. As visitas fazem parte da primeira etapa do programa, dedicada à realização de benchmarking.

Texto: Caroline Roxo – Inova Unicamp | Foto: Divulgação Enfuse

A Bahia foi um dos destinos mapeados pelo programa Entrepreneurship for Future and Sustainable Energy (Enfuse), para a identificação de boas práticas de incentivo ao empreendedorismo tecnológico em seus ambientes de inovação. Durante a agenda no estado, a comitiva do projeto visitou quatro locais em Salvador e um em Camaçari.

As visitas fazem parte da primeira etapa do programa Enfuse, na qual os pesquisadores estão realizando benchmarking em ambientes de inovação no Brasil e no exterior. A iniciativa tem como objetivo fomentar o desenvolvimento de deep techs, especialmente nas áreas de óleo, gás e transição energética. A comitiva foi composta pelos pesquisadores Caroline Roxo, Gabriela Byzynski Soares, João Victor Paulo Teixeira e Evelyn Pinheiro Tenório de Albuquerque.

 

Visita ao Parque Tecnológico da Bahia (PTB)

As visitas começaram pelo Parque Tecnológico da Bahia (PTB), em Salvador, com a recepção de Katya Perazzo, especialista em inovação, e Alice Santos, analista de inovação. O Parque foi criado em 2004 e funciona no modelo de governança híbrida, realizada por uma associação formada entre Universidade Federal da Bahia (UFBA), Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (SECTI), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (CIMATEC) e Sebrae, em parceria com o governo estadual. A estrutura busca integrar diferentes atores do ecossistema de inovação para fortalecer estratégias de desenvolvimento tecnológico e empreendedorismo.

Um dos destaques apresentados durante a visita foi a atuação da Incubadora Aity, vinculada ao Parque, que oferece programas de incubação com duração média de 24 meses e mentorias virtuais para empresas vinculadas ao ambiente. Em um projeto de expansão financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Parque prevê ainda a ampliação de laboratórios e a criação de novos espaços voltados à biotecnologia e à economia criativa. 

 

Foto: Divulgação Enfuse

 

SENAI CIMATEC e CIMATEC PARK integram os ambientes visitados 

As visitas seguiram para o SENAI CIMATEC, com a recepção de André Oliveira, diretor de desenvolvimento de negócios e planejamento do SENAI CIMATEC, e Vilson Alves, gerente de negócios do SENAI CIMATEC. O local reúne ensino técnico e superior, pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), e prestação de serviços tecnológicos para empresas.

Um dos diferenciais apresentados durante a visita foi o modelo de atuação orientado às demandas da indústria. Empresas interessadas acionam o CIMATEC para solucionar desafios tecnológicos específicos, que podem resultar em projetos de pesquisa, programas de inovação aberta e hackathons. Entre os casos apresentados está o desenvolvimento de um robô para escaneamento do fundo do mar, criado para atender demandas do setor offshore.

 

Foto: Divulgação Enfuse

 

Além do SENAI CIMATEC a comitiva também foi até a cidade de Camaçari, polo industrial referência na Bahia, para conhecer o CIMATEC Park. O espaço integra o ecossistema do SENAI CIMATEC e reúne estruturas voltadas à pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e atração de empresas, organizadas em uma lógica de “jornada” que vai desde ambientes de pesquisa de baixa maturidade até a consolidação de negócios e instalação de grandes empresas. O modelo é estruturado em diferentes frentes, como Science Park,Technology Park e Business Park, permitindo o avanço gradual de projetos e startups dentro do ecossistema.

Um dos principais destaques do local é o desenvolvimento do Laboratório de Desenvolvimento da Produção (LDP), um ambiente que está sendo criado para testar equipamentos e sistemas em condições semelhantes às do pré-sal, sendo uma novidade no contexto brasileiro na área de inovação. 

O LDP também vai operar em um modelo aberto ao mercado, permitindo que empresas utilizem a infraestrutura para testes com suas próprias equipes. Considerado um dos mais avançados do mundo nesse tipo de simulação, o espaço tem como objetivo reduzir riscos operacionais e evitar impactos na produção em escala real. A comitiva foi recebida novamente por Vilson Alves, gerente de negócios do SENAI CIMATEC e também por José Fábio Abreu de Andrade, especialista na área de petróleo e gás do SENAI CIMATEC e pesquisador responsável pelo projeto do LDP.

 

Foto: Divulgação Enfuse

 

HUB Salvador esteve na agenda da comitiva 

As visitas do programa também incluíram o Hub Salvador na agenda, um ambiente de inovação vinculado à Prefeitura de Salvador. O espaço atua como coworking e aceleradora, com forte presença de startups do setor de tecnologia da informação e comunicação (TIC). A comitiva foi recebida por Fernanda Moraes, coordenadora executiva do Hub Salvador, e por Claudio Celino, coordenador de operações do Hub Salvador

Um dos pontos de destaque do local é o programa Flow, voltado à aceleração de empresas. O programa tem duração de quatro meses e é voltado a startups em estágio inicial. As turmas são abertas semestralmente por edital, com entrada média de 8 a 12 empresas, o que permite um acompanhamento mais próximo e individualizado. Após o ciclo, as empresas podem permanecer no espaço por até seis meses adicionais de forma gratuita, além de poderem repetir a participação no programa. 

O Hub também atua no fortalecimento da integração entre startups e investidores, promovendo eventos recorrentes de conexão e dinâmicas colaborativas. Entre as iniciativas, estão encontros em que, a cada edição, uma empresa apresenta sua atuação às demais, estimulando a interação entre todas as empresas vinculadas ao Hub. 

Entre os desafios apontados, está a ausência de uma etapa de incubação na capital, já que o Hub Salvador atua principalmente como aceleradora. Nesse sentido, estão em desenvolvimento estratégias de articulação com hubs do interior do estado, permitindo que startups realizem suas etapas de incubação regionalmente e, posteriormente, apresentem seus projetos no Hub Salvador com acesso a investidores. 

 

Foto: Divulgação Enfuse

 

Visita ao NIT da UFBA 

As visitas em Salvador foram finalizadas na Universidade Federal da Bahia (UFBA), com foco em conhecer o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Universidade. Entre as iniciativas em andamento, destaca-se a participação da UFBA em programas de aceleração de NITs, além da construção de parcerias com o Sebrae para a implementação de trilhas de empreendedorismo voltadas às universidades baianas.

A comitiva foi recebida por Horacio Hastenreiter, professor da UFBA e coordenador de inovação do NIT da Universidade, e Lorena Santos, gerente de transferência de tecnologia no NIT. Além deles, também foram apresentados alguns laboratórios da Universidade ligados aos pesquisadores Aristides Pavani, doutor pela UFBA, e Danusia Ferreira Lima, professora da UFBA, ambos com planos de empreender a partir de suas invenções, que possuem potencial de inovação. 

Para finalizar o encontro, a comitiva também conversou com Max Rocha, aluno de administração e presidente da Liga Empreendedora da UFBA. A Liga nasceu dentro da Universidade e está se expandindo para o ecossistema de Salvador, como um primeiro contato de discentes com o universo empreendedor, visando o fortalecimento da cadeira empreendedora desde o começo da graduação. 

 

Foto: Divulgação Enfuse

Sobre o Enfuse

O programa Enfuse: Entrepreneurship for Future and Sustainable Energy é um acordo de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) firmado entre a Unicamp e a Petrobras que busca desenvolver metodologias replicáveis em todo o Brasil para formar empreendimentos e empreendedores que fortaleçam a cadeia de fornecimento do setor energético nacional.

O programa tem como objetivo formar empreendedores com potencial para criar soluções reais para o setor de energia — desde a indústria de óleo e gás até fontes renováveis como o hidrogênio.

O Enfuse é coordenado pelo Centro de Estudos de Energia e Petróleo (Cepetro) da Unicamp e conta com a parceria e envolvimento de pesquisadores da Agência de Inovação Inova Unicamp e do Laboratório de Gestão de Tecnologia e Inovação do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) ligado ao Instituto de Geociências (IG) da Unicamp.

Mural de oportunidades do Projeto Enfuse mapeia caminhos e fontes de recursos para Deep Techs

Projeto Enfuse mapeia ecossistema de inovação em Brasília

Visão por cima do ombro de uma pessoa com cabelos cacheados usando um notebook. A tela exibe o site da "Enfuse" com o título "Conheça o Enfuse" e a foto de uma cientista em um laboratório. Ao fundo, um tapete com padrão geométrico de triângulos cinzas e amarelos. Fim da descrição.

Unicamp lança site oficial do projeto Enfuse para impulsionar deep techs em energia

Pesquisadores do Enfuse visitam ambientes com iniciativas de empreendedorismo na Noruega e na Polônia