Enfuse cumpre agenda de benchmarking em polos de inovação da Suíça e da Itália

Análise in loco de instituições de referência no fomento a deep techs proporcionou aprendizados sobre programas estabelecidos em etapas progressivas e a importância de desenvolver competências empreendedoras nos pesquisadores

Texto: Christian Marra – Enfuse | Fotos: Divulgação Inova Unicamp 

Uma comitiva de pesquisadores do projeto Entrepreneurship for Future and Sustainable Energy (Enfuse), iniciativa de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) coordenada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizou uma imersão em ecossistemas de fomento a deep techs da Suíça e da Itália. Diferentemente das startups , as deep techs envolvem pesquisa científica de ponta, enfrentam longos ciclos de desenvolvimento e exigem investimentos mais elevados para chegar ao mercado de forma competitiva.

Na ocasião, a equipe do Enfuse visitou seis instituições de referência, sendo quatro na Suíça e duas na Itália, abrangendo desde universidades destacadas nos rankings mundiais de inovação até parques industriais voltados à aceleração de soluções de energia. A missão  teve como objetivo observar modelos internacionais de fomento ao empreendedorismo tecnológico, avaliando in loco a estrutura desses ambientes e proporcionando novos insights para a estruturação de metodologias  replicáveis para o ecossistema brasileiro de deep techs.

A delegação foi composta pelo professor Renato Lopes, diretor-executivo da Agência de Inovação da Unicamp, e pelas pesquisadoras Iara Ferreira, Vitória Alicia Benedet e Elisama Campelo Santos, também da Inova Unicamp . Segundo Lopes, “as visitas técnicas permitiram um contato aprofundado com importantes ecossistemas na Europa, gerando aprendizados concretos para o Enfuse. Ficou evidente que o sucesso desses ambientes, que estão em estágio avançado de consolidação, baseia-se na forte integração entre universidade, governo e setor produtivo, além do apoio muito bem estruturado à jornada do empreendedor”.

 

Estratégias suíças de apoio de longo prazo para deep techs 

A primeira metade da missão, que foi realizada entre os dias 13 e 23 de abril, concentrou-se na Suíça, onde a equipe iniciou a série de visitas pelo ETH Entrepreneurship. O ETH é o braço do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique dedicado ao fomento de startups e spin-offs. No ETH, os pesquisadores do Enfuse se debruçaram, sobretudo, no funcionamento do escritório de transferência de tecnologia e na avaliação de suas diretrizes de licenciamento de propriedade intelectual. Seus programas-âncora são o ETH Pioneer Fellowship, voltado à incubação de longa duração para estudantes e cientistas com projetos de pesquisa, e o acelerador UPortunity, que oferece fomento e estrutura de trabalho para jovens graduados com protótipos já validados.

A visita seguinte foi ao Paul Scherrer Institute (PSI), em Villigen, um centro de pesquisa focado em ciência dos materiais, ciências da vida e energia. Um dos destaques é o Escritório de Transferência de Tecnologia (TTO), que faz interface direta entre a pesquisa e o mercado. Dividido por áreas temáticas, este TTO assessora cientistas na gestão de propriedade intelectual e mitiga barreiras burocráticas para a realização de negócios. Além dele, também foi apresentado o programa PSI Founder Fellowship, voltado a preencher as lacunas entre laboratórios e planos de negócios, por meio de estratégias de fomento e de mentorias de longo prazo.

 

                                                         Foto: Divulgação Inova Unicamp

 

Ainda na Suíça, a delegação visitou a École Polytechnique Fédérale de Lausanne (EPFL), instituição reconhecida pelas iniciativas de transferência de tecnologia para o setor produtivo e pela estrutura de criação de startups acadêmicas. Um de seus diferenciais é a Vice-Presidência para Inovação e Impacto, um modelo de gestão integrada que unifica, sob um mesmo “guarda-chuva”, ações de transferência de tecnologia, celebração de parcerias industriais e fomento ao empreendedorismo. Essa estrutura permitiu aos pesquisadores analisar o impacto de programas de incentivo financeiro, como o Innogrants, focado em dedicação exclusiva para tirar projetos do laboratório, e o conceito de Sciencepreneur, que apoia cientistas na transição para o mercado.

A escala seguinte foi a Universidade de Basel, instituição com foco em ciências da vida e da saúde e ampla experiência na transformação de conhecimento acadêmico em impacto positivo de mercado. Um exemplo disso é o seu Innovation Office, órgão vinculado à presidência da universidade, que confere peso institucional aos programas empreendedores. A equipe do Enfuse pôde mapear instrumentos como o Propelling Grant, programa que disponibiliza recursos em financiamento não diluível (modalidade que apoia o projeto sem exigir participação acionária da empresa em troca) para validar projetos prontos para o mercado. Outros destaques são o uso de mentores experientes, via programa Entrepreneur in Residence e, sobretudo, a transparência e clareza da Startup Policy, que estabelece regras públicas de partilha de equity e royalties para a transferência tecnológica.

 

Modelos italianos preparam talentos e viabilizam deep techs 

 

                                                          Foto: divulgação Inova Unicamp

 

Cruzando a fronteira, a equipe deslocou-se à Tech Europe Foundation (TEF), sediada em Milão, na Itália. A TEF é uma fundação focada no fortalecimento do ecossistema de deep techs e venture capital na Europa, com ênfase em startups de energia. Ela une a expertise de dois importantes centros da inovação: o PoliHub (do Politecnico di Milano) e o Bocconi for Innovation (B4i, da Universidade Bocconi). A TEF destaca-se pelo seu modelo de gestão integrada, que unifica o fomento acadêmico sob uma cadeia contínua de suporte, desde a fase de ideação estudantil até a aceleração científica de longo prazo. A equipe do Enfuse também conheceu o programa TEF Foundry, que também utiliza financiamento não diluível e marcos de progressão estruturados para validar o potencial comercial de tecnologias avançadas de energia.

A etapa italiana encerrou-se em Roma, com uma visita ao Rome Advanced District (ROAD), um parque científico e tecnológico público-privado. Seus destaques são o modelo de governança em consórcio e o conceito de living lab (laboratório vivo) a céu aberto, que integram ciência, indústria e comunidade para testar tecnologias em condições reais de ambiente urbano (como veículos autônomos e gestão de energia). Além disso, o parque aposta no desenvolvimento de capital humano por meio da ROAD Academy, que prepara e retém talentos conectando a formação acadêmica diretamente aos desafios reais do mercado de energia.

 

Sobre o Enfuse

O programa Entrepreneurship for Future and Sustainable Energy (Enfuse) é um acordo de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) conduzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que busca desenvolver metodologias replicáveis em todo o Brasil para formar empreendimentos e empreendedores que fortaleçam a cadeia de fornecimento do setor energético nacional.

O programa tem como objetivo formar empreendedores com potencial para criar soluções reais para o setor de óleo, gás e energia.

O projeto é coordenado pelo Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO) da Unicamp e conta com a parceria e envolvimento de pesquisadores da Agência de Inovação Inova Unicamp, do Laboratório de Gestão de Tecnologia e Inovação do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) – ligado ao Instituto de Geociências (IG) da Unicamp – e de diversos institutos e faculdades da Unicamp.

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Fotografia de seis pessoas posam em frente a um painel com a marca “Greentown Houston” e a frase sobre aceleração da transição para energia limpa. O grupo está em um auditório e veste roupas sociais e casuais, registrando uma visita ao hub de inovação e energia. Fim da descrição.

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