Equipe do Enfuse investiga mecanismos de incentivo a deep techs da Austrália

Comitiva brasileira visitou universidades, parques tecnológicos e agências governamentais em Melbourne para mapear as melhores experiências na transferência de conhecimento e em investimentos de risco para startups do setor de energia.

Texto: Christian Marra – Enfuse | Fotos: André Gobi – Enfuse


Uma delegação do projeto
Entrepreneurship for Future and Sustainable Energy (Enfuse) visitou, entre os dias 26 e 29 de junho de 2026, instituições de destaque que compõem o ecossistema da inovação da Austrália. O objetivo dessa imersão foi conhecer como o país desenvolve seu ecossistema de empreendedorismo inovador por meio de modelos de governança, mecanismos de transferência de tecnologia e estratégias de investimento de risco para o estímulo a deep techs, por meio de reuniões com especialistas em parques tecnológicos, incubadoras, universidades, institutos de pesquisa e agências governamentais locais.

Conduzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Enfuse é um programa de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) que visa desenvolver metodologias para formar empreendedores e estimular negócios de deep techs voltadas aos setores de óleo, gás e energia no Brasil. A delegação de pesquisadores foi composta por Marcelo Souza de Castro, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp (FEM Unicamp) e coordenador do Enfuse,  Edmundo Inácio Júnior, professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp (FCA Unicamp), Luciana de Oliveira Silva, especialista em internacionalização na Inova Unicamp e André Gobi, analista de comunicação na Inova Unicamp. A agenda concentrou-se na cidade de Melbourne, um dos principais polos locais de tecnologia e empreendedorismo.


Estruturas de aceleração da RMIT University

A programação teve início na RMIT University, onde a delegação conheceu de perto a spin-out NexSen, primeira startup em que a Universidade ingressou como investidora e acionista. Nesse caso de co-empreendedorismo, a empresa recebeu isenção de aluguel no campus durante os estágios de menor maturidade de suas tecnologias e teve acesso a laboratórios avançados. Essa combinação favoreceu o sucesso inicial do empreendimento, a ponto de a NexSen ter aberto seu capital na bolsa de valores australiana ainda na fase de desenvolvimento do produto. Para isso, a spin-out valeu-se de um mecanismo do mercado de capitais local que permite captar recursos de longo prazo para tecnologias de maturação prolongada antes mesmo de gerar receitas comerciais consolidadas.

 

No Royal Melbourne Institute of Technology (RMIT), a equipe do Enfuse analisou a estrutura da NexSen, spin-out pioneira no ecossistema australiano ao contar com a própria universidade como investidora e acionista.
No Royal Melbourne Institute of Technology (RMIT), a equipe do Enfuse analisou a estrutura da NexSen, spin-out pioneira no ecossistema australiano ao contar com a própria universidade como investidora e acionista.


Na sequência, aprofundando a análise do modelo de governança da RMIT, o grupo reuniu-se com lideranças da universidade para detalhar as operações da área de
comercialização de propriedade intelectual. Pautada por princípios como Fit for Purpose (adequação do modelo de transferência ao contexto da tecnologia) e Partner for Impact (foco no efeito real e não apenas em publicações), a universidade mostrou como estruturar um ecossistema de financiamento integrado, que apoia os projetos desde a fase de conceito (TRL 1) até estágios avançados de captação privada. Outro destaque foi o programa RMIT Activator, que simplifica a realização de parcerias com a indústria, graças a seus modelos de reduzida burocracia, o que acelera a implementação da pesquisa aplicada.


Experiências do ecossistema de inovação da Universidade de Melbourne

A etapa seguinte foi uma visita ao Melbourne Connect, a unidade de inovação e interface com o mercado da Universidade de Melbourne. Nele, a equipe do Enfuse analisou sua filosofia de trabalho denominada demand pull, pela qual o ponto de partida é a necessidade real do setor produtivo. Segundo essa lógica, o professor-pesquisador assume um papel executivo e a responsabilidade direta pelo desempenho comercial de uma startup. Além disso, a universidade adota uma curadoria ativa do funil de patentes para evitar a sobrecarga dos escritórios de transferência tecnológica com registros sem potencial comercial.

A comitiva também se reuniu com representantes  do Melbourne Innovation District (MID), fruto de uma aliança entre a Prefeitura de Melbourne, a RMIT e a Universidade de Melbourne. O MID funciona como um laboratório aberto que integra equipamentos culturais, de saúde e educacionais para impulsionar a inovação no ambiente urbano. Por fim, a equipe do Enfuse visitou o órgão governamental Global Victoria para avaliar o peso do suporte estatal nas ações de inovação. Para isso, a instituição criou a agência Innovation Victoria, associada a um fundo público de venture capital denominado Breakthrough Victoria, cujo objetivo é promover a articulação entre as políticas públicas, o fomento com capital de risco e a atração de investimentos corporativos, de modo a criar um ambiente favorável ao estímulo a deep techs.

 

Sobre o Enfuse 

O programa Entrepreneurship for Future and Sustainable Energy (Enfuse) é um acordo de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) conduzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que busca desenvolver metodologias replicáveis em todo o Brasil para formar empreendimentos e empreendedores que fortaleçam a cadeia de fornecimento do setor energético nacional.

O programa tem como objetivo formar empreendedores com potencial para criar soluções reais para o setor de óleo, gás e energia.

O projeto é coordenado pelo Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO) da Unicamp e conta com a parceria e envolvimento de pesquisadores da Agência de Inovação Inova Unicamp, do Laboratório de Gestão de Tecnologia e Inovação do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) – ligado ao Instituto de Geociências (IG) da Unicamp – e de diversos institutos e faculdades da Unicamp.

 

 

 

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Da esq. para dir.: Ana Palazi, Iara Ferreira, Dr. Pedro Zacarias (Chefe do Setor de Ciência, Tecnologia e Inovação - Sectec - da Embaixada do Brasil na França), Rose Mary (assistente na Sectec), Prof. Edmundo e Beatriz Hargrave, em reunião antes do início das visitas de benchmarking no país.

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