Texto: Christian Marra – Enfuse | Fotos: André Gobi – Enfuse
Nos dias 26 e 27 de maio de 2026, uma equipe de pesquisadores do Entrepreneurship for Future and Sustainable Energy (Enfuse) realizou um programa de visitas técnicas e reuniões institucionais em ambientes de inovação e empreendedorismo sediados na cidade de São Paulo. O objetivo foi aprofundar as ações de do projeto, analisando modelos operacionais de instituições de referência para identificar estratégias e metodologias replicáveis.
A delegação do foi composta pelos pesquisadores André Gobi, João Victor Teixeira, Raphaela Gomes Martins, Rafael Lisboa Aguilar e Vital Toshio Yasumaru. Ao longo dos dois dias, o grupo cumpriu um roteiro passando por três ambientes dedicados ao desenvolvimento tecnológico: o MackGraphe (promovido pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (CIETEC), estes dois últimos instalados no campus da Universidade de São Paulo (USP).
Como o MackGraphe transforma pesquisa em protótipos de mercado
A agenda de encontros começou no dia 26 de maio no MackGraphe, um centro de pesquisa, desenvolvimento e inovação especializado em tecnologias baseadas em grafeno e materiais bidimensionais. A equipe foi recebida pelos professores Marcelo Oliveira e Ivo Pons, que detalharam as atividades do instituto em áreas como nanotecnologia, fotônica, optoeletrônica, armazenamento de energia e nanomateriais aplicados à indústria e à saúde
O MackGraphe promove a articulação entre cientistas e empresas para conduzir projetos de pesquisa aplicada cujos níveis de maturidade se encontrem entre o TRL 3 e o TRL 6. é a sigla para Technology Readiness Level (em português, Nível de Maturidade Tecnológica), uma métrica que varia de 1 a 9 e é utilizada internacionalmente para avaliar o estágio de desenvolvimento de novas tecnologias até sua exploração comercial.
Dessa forma, ao posicionar-se entre o TRL 3 e o TRL 6, o MackGraphe tem o seu foco em iniciativas que estão no meio do caminho entre a validação inicial em laboratório e os testes de protótipos em ambientes que simulam o ambiente industrial real. O instituto auxilia pesquisadores e empresas a transpor o chamado ‘vale da morte’ da inovação, ou seja, o gargalo crítico de transformar a pesquisa científica de laboratório em um protótipo prático, antes que ela fique sem recursos para chegar ao mercado.
O modelo híbrido de financiamento do IPT
No dia seguinte, a comitiva dirigiu-se ao IPT, onde foi recebida por Alex Vallone, gestor de inovação aberta. No instituto, os pesquisadores do Enfuse conheceram o funcionamento do IPT Open, uma iniciativa de inovação hardtech criada em 2019. Seu objetivo é conectar startups, empresas, governos e hubs de inovação, valendo-se de laboratórios especializados. Esse modelo viabiliza o uso de espaços disponíveis e promove sinergias entre os diferentes atores do ecossistema.
No campo regulatório, o modelo do instituto prevê que, quando o insumo tecnológico principal é aportado pelo parceiro privado, o desenvolvimento não gera propriedade intelectual para a instituição. Essa medida diminui a burocracia e favorece o engajamento empresarial, conforme apresentado por Vallone.

Aceleração em fluxo contínuo e trilhas de longo prazo no CIETEC
A última parada ocorreu no CIETEC, um dos mais expressivos indutores de startups de base tecnológica (deep techs) do Brasil, que contabiliza mais de mil empreendimentos apoiados em seu portfólio desde sua fundação. Conduzida pelo analista de comunidades Gregory Levi Azevedo, a visita permitiu aprofundar os mecanismos de gestão de uma entidade que, além da incubação e aceleração de startups, promove mentorias, networking e capacitação em gestão e inovação, apoio à propriedade intelectual, entre várias outras ações.
Um de seus destaques é o Programa DNA, voltado para a conexão de startups acadêmicas com o mercado desde a fase de laboratório. O modelo oferece uma trilha de longo prazo, que pode se estender por até oito anos, com o intuito de fazer os projetos atingirem o nível de maturidade 8 – fase em que uma tecnologia já foi testada, aprovada pelas regulações e está pronta para ser comercializada.
Outra constatação da equipe foi o modelo de aceleração em fluxo contínuo para empresas mais maduras, que permite a entrada permanente de startups residentes no ecossistema. Adicionalmente, os pesquisadores analisaram iniciativas como a Inovaclima, competição voltada a deep techs visando o desenvolvimento de soluções de enfrentamento às mudanças climáticas, e o Apta Hub, rede de ambientes de inovação com foco em soluções voltadas ao agronegócio.
Experiências e aprendizados para o benchmarking do Enfuse
A imersão na capital paulista propiciou ao Enfuse uma compreensão de aspectos do ecossistema paulistano para o levantamento de benchmarking do projeto. As reuniões técnicas demonstraram, por exemplo, como a articulação coordenada de atores em diferentes estágios de maturidade tecnológica é fundamental para o fortalecimento do ecossistema de inovação.
O contato com essas instituições também forneceu parâmetros sobre acordos formais, incubação assistida e diversificação de receitas. Todos esses aprendizados consolidados estabelecem bases para o aprimoramento das pesquisas conduzidas pelo Enfuse para o fomento ao desenvolvimento de deep techs no país.
Sobre o Enfuse
O programa Entrepreneurship for Future and Sustainable Energy (Enfuse) é um acordo de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) conduzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que busca desenvolver metodologias replicáveis em todo o Brasil para formar empreendimentos e empreendedores que fortaleçam a cadeia de fornecimento do setor energético nacional.
O programa tem como objetivo formar empreendedores com potencial para criar soluções reais para o setor de óleo, gás e energia.
O projeto é coordenado pelo Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO) da Unicamp e conta com a parceria e envolvimento de pesquisadores da Agência de Inovação , do Laboratório de Gestão de Tecnologia e Inovação do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) – ligado ao Instituto de Geociências (IG) da Unicamp – e de diversos institutos e faculdades da Unicamp.