Texto: Henrique Dassi – Enfuse
Uma comitiva de pesquisadores do programa Entrepreneurship for Future and Sustainable Energy (Enfuse) esteve em três cidades do nordeste brasileiro. A primeira parada do itinerário consistiu na visita técnica em Recife, em Pernambuco, depois partiu para Campina Grande, na Paraíba, e finalizou em Natal, no Rio Grande do Norte. As cidades foram escolhidas por serem referências em ecossistemas de inovação e empreendedorismo de interesse para o benchmarking do programa.
As visitas fazem parte da primeira etapa do Enfuse, a qual busca mapear boas práticas de incentivo ao empreendedorismo e inovação ligadas a deep techs. O programa busca formar empreendimentos e empreendedores que fortaleçam a cadeia de fornecimento do setor de energia, óleo e gás nacional. O Enfuse é uma iniciativa de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) firmada entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Petrobras.
A comitiva do Enfuse foi composta por Renato Lopes, diretor-executivo na Agência de Inovação Inova Unicamp; Iara Regina da Silva Ferreira, coordenadora de negócios e inovação na Inova Unicamp; Ana Claudia Cavichiolli Daidone, supervisora de parcerias na Inova Unicamp; e Raphaela Gomes Martins, analista de empreendedorismo e ambientes de inovação na Inova Unicamp.
RECIFE – PERNAMBUCO
A visita realizada em dezembro de 2025 começou por Recife, no Parque Tecnológico e Científico da Universidade Federal de Pernambuco (Parque.TeC UFPE), a qual teve a participação de Roberto Guerra, diretor do Parque.Tec, Manuella Gama, analista de inovação do Parque.Tec, e Suzanna Sandes Dantas, PhD, docente do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR) e analista de inovação do Parque.Tec.
O foco do Parque, inaugurado em 2022, está em criar um ecossistema que ligue pesquisa científica, empreendedorismo e mercado. Para isso, são adotadas medidas diferentes a depender do estágio de uma startup, como pré-incubação, incubação e pós-incubação. Mais de 50 startups já foram apoiadas pelo ecossistema e geraram faturamento de 11,7 milhões de reais e 360 postos de trabalho em 2025.

O Enfuse também visitou o Núcleo de Gestão do Porto Digital (NGPD), que é um dos principais distritos de inovação do Brasil e América Latina e funciona sob o modelo de tríplice hélice, ou seja, articula governo, universidades e setor privado com intuito de fomentar uma visão de cooperação, estabilidade e lógica de longo prazo. O Porto Digital abriga mais de 350 empresas e instituições voltadas às áreas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), economia criativa e tecnologias para cidades inteligentes, saúde e energia.
“O Porto Digital atua com os empreendedores desde o começo de suas jornadas ao proporcionar uma formação e atrair grandes parceiros, além de haver uma forte interação da cultura e história deste local. Todos esses componentes se juntam para criar um ecossistema de inovação e empreendedorismo muito único e forte”, destacou Lopes.
A comitiva do Enfuse foi recepcionada no Porto Digital por Henrique Steinberg, responsável pela consultoria de mapeamento e articulação de stakeholders do ecossistema do Porto Digital do Recife, e Karol Brasileiro, coordenadora de empreendedorismo e líder de produtos e programas.

Em seguida, houve visita na In Forma Software S.A., empresa que integra o ecossistema do Porto Digital. A comitiva foi recepcionada por Ismar Kaufman, diretor-presidente da empresa que é especializada no desenvolvimento de soluções em tecnologia da informação para a gestão de ativos na indústria de energia.
Ainda parte do ecossistema do Porto Digital, a equipe do Enfuse conheceu o Centro Integrado de Segurança em Sistemas Avançados (CISSA), que lida com proteção de dados, privacidade, resiliência digital e defesa contra ameaças cibernéticas em sistemas complexos, críticos e altamente regulados. O CISSA é operado pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) que atua no desenvolvimento de projetos de inovação em internet das coisas (internet of things, IoT) e tecnologias. Taline Ferreira, analista de projetos do Cesar, Julyenne Moura, coordenadora de projetos do Cesar, e Mayza Lima, assistente administrativa do CESAR recepcionaram a comitiva.
CAMPINA GRANDE – PARAÍBA
Em Campina Grande, na Paraíba, a comitiva fez sua primeira parada no Núcleo de Tecnologias Estratégicas em Saúde (NUTES) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). A visita foi acompanhada por diversos membros do Núcleo: Valério Batista, coordenador da Unidade de Fabricação de Dispositivos Médicos (UFDM) e coordenador da qualidade; Ketinlly Yasmyne Nascimento Martins, coordenadora do Laboratório de Tecnologias Tridimensionais (LT3D); Rodolfo Castelo Branco, coordenador técnico do LT3D; Kézia Dantas, coordenadora do Laboratório de Sistemas Inteligentes (LSI); Paulo Barbosa, coordenador do Laboratório de Computação Biomédica (LCB); Eujessika Rodrigues, coordenadora do LCB e fundadora da startup Sênior Saúde Móvel; Robson Pequeno, coordenador do Laboratório de Análise de Imagens e Sinais (LAIS); Misael E De Morais, coordenador-geral do NUTES; Lauriston Medeiros Paixão, pesquisador e desenvolvedor da palmilha inteligente Sense Shoes; Mateus Antunes, coordenador da produção da UFDM; Diego de Melo Cavalcanti, analista de qualidade; e Jordão Moreira, analista de projetos.
A infraestrutura do núcleo, que também é uma unidade Embrapii credenciada, permite atuação ampla em pesquisa, desenvolvimento, inovação e prestação aplicada de serviços tecnológicos especialmente relacionados à saúde e equipamentos médicos para instituições tanto privadas quanto públicas.

Ainda na UEPB, a comitiva do Enfuse esteve na Agência de Inovação Tecnológica (InovaTec). A recepção foi conduzida pelos docentes da universidade Simone Silva dos Santos Lopes, coordenadora de propriedade intelectual na InovaTec; Yedda Albuquerque, coordenadora de transferência de tecnologias na InovaTec; e Josemir Moura, coordenador de empreendedorismo na InovaTec.
A InovaTec tem por objetivo estimular a inovação e o empreendedorismo nos diversos campi da UEPB. Para isso, atua em diferentes frentes: propriedade intelectual, transferência de tecnologia, observatório tecnológico e empreendedorismo.

O grupo também esteve no Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), uma das mais antigas instituições de fomento à ciência, tecnologia e inovação no Brasil, sendo datada de 1984. Sua atuação se dá em três âmbitos: aceleração de empresas inovadoras; conexão entre startups, universidades e corporações; e incubação por meio da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Criativos e Inovadores de Campina Grande (ITCG).
A visita contou com o acompanhamento de Camilla Costa Souza, coordenadora da Incubadora Tecnológica; Francisco Vilar Brasileiro, docente da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e diretor do PaqTcPB; Nadja Maria da Silva Oliveira, docente da UEPB, pró-reitora adjunta da pós-graduação e pesquisa na universidade e diretora técnica do PaqTcPB; e Abner Vidal, analista de negócios do PaqTcPB.

NATAL – RIO GRANDE DO NORTE
Outro ecossistema de inovação e empreendedorismo visitado pela comitiva do Enfuse foi o de Natal, no Rio Grande do Norte. A visita ao Metrópole Parque, integrado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e ao Instituto Metrópole Digital (IMD) foi conduzida por Rodrigo Romão, diretor do Metrópole Parque, Raquel Maciel, gerente operacional, Thércio Leite, assessor de marketing, e Ivonildo Rego, docente da UFRN e diretor do IMD.
Um dos principais destaques do Parque é a formação especializada nas áreas de empreendedorismo e inovação através de uma Unidade Acadêmica. Os dados da região mostram que há mais de 150 empresas associadas, as quais geram mais de três mil empregos diretos e um faturamento anual de cerca de 300 milhões de reais. Além disso, a taxa de startups que prosperam após o ciclo é de 93%, muito acima da média nacional.

Por fim, a equipe do Enfuse esteve na Central de Imageamento Geofísico Ltda. (Cimageo), empresa de geofísica, processamento e interpretação de dados sísmicos para aplicação na exploração de petróleo e gás. Lá, foi recepcionada pelos sócios Gabriel Almeida e Felipe Zumba Amorim, além de Luiz Henrique Gomes Popoff, data processor e analista na empresa.
A empresa se encaixa em um contexto empresarial altamente técnico e estratégico e se utiliza de mão-de-obra especializada e softwares próprios para processamento sísmico na exploração de hidrocarbonetos.
SOBRE O ENFUSE
O programa Entrepreneurship for Future and Sustainable Energy (Enfuse) é um acordo de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) firmado entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Petrobras que busca desenvolver metodologias replicáveis em todo o Brasil para formar empreendimentos e empreendedores que fortaleçam a cadeia de fornecimento do setor energético nacional.
O programa tem como objetivo formar empreendedores com potencial para criar soluções reais para o setor de energia — desde a indústria de óleo e gás até fontes renováveis como o hidrogênio.
O projeto é coordenado pelo Centro de Estudos de Energia e Petróleo (Cepetro) da Unicamp e conta com a parceria e envolvimento de pesquisadores da Agência de Inovação Inova Unicamp e do Laboratório de Gestão de Tecnologia e Inovação do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) ligado ao Instituto de Geociências (IG) da Unicamp.
SOBRE A INOVA UNICAMP
A Inova Unicamp é o Núcleo de Inovação Tecnológica da Unicamp (NIT), responsável por gerenciar a proteção da propriedade intelectual, a transferência de tecnologias e resguardar os interesses da Universidade em acordos de PD&I.
A Inova Unicamp impulsiona a criação de spin-offs acadêmicas e administra o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp e a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp), certificados com nível máximo de boas práticas em incubação pela Anprotec e Sebrae (CERNE 4) e reconhecidos internacionalmente pelo GIMI Innovation Awards.
Além disso, promove a comunicação e cultura de inovação e empreendedorismo com diversas competições, eventos e publicações, sendo também responsável pelo mapeamento das 1.515 empresas-filhas da Unicamp ativas, que geraram mais de 54 mil empregos e um faturamento de 28,3 bilhões de reais em 2025.